O arranjo de geofones de 24 a 48 canais é estendido ao longo de uma linha de investigação no terreno, acoplado firmemente ao solo para capturar cada frente de onda. Em Jundiaí, esse equipamento percorre áreas que vão desde os terrenos cristalinos da Serra do Japi até os pacotes sedimentares próximos ao Rio Jundiaí, gerando um perfil contínuo de velocidades sísmicas. A tomografia sísmica de refração/reflexão processa milhares de tempos de percurso para reconstruir, por inversão, a geometria das camadas de solo, saprolito e rocha. A técnica se baseia na propagação de ondas compressionais (P) e cisalhantes (S), e sua interpretação conjunta permite estimar parâmetros dinâmicos como módulo de Young e coeficiente de Poisson in situ. Quando o objetivo é fundação profunda em zonas de transição de solo residual para rocha alterada, comum nos bairros altos de Jundiaí, integramos a sísmica com a sondagens SPT para calibrar os perfis de velocidade. A aquisição em Jundiaí é planejada considerando o ruído antrópico das marginais da Anhanguera e da Bandeirantes, ajustando ganhos e empilhamentos para manter a qualidade do sinal.
A inversão tomográfica entrega um campo contínuo de velocidades sísmicas, revelando heterogeneidades que sondagens pontuais isoladas não detectam.
Metodologia e escopo
Fatores do terreno local
Entre o bairro do Eloy Chaves, sobre rochas do Complexo Varginha, e a região central, sobre sedimentos aluvionares, o contraste de rigidez sísmica em Jundiaí muda radicalmente em poucos quilômetros. Essa variabilidade lateral, quando ignorada, produz modelos geotécnicos homogêneos que subestimam recalques diferenciais e superestimam a capacidade de carga. A tomografia sísmica de refração/reflexão mitiga esse risco ao mapear, em seção contínua, a profundidade do impenetrável à percussão e a espessura real da camada de transição solo-rocha. Outro risco típico no município são as cavidades em solo originadas por erosão interna em cabeceiras de drenagem dos afluentes do Rio Jundiaí: a sísmica de refração identifica zonas de baixíssima velocidade compatíveis com vazios preenchidos por ar ou material fofo, permitindo à equipe de projeto decidir entre reforço, substituição ou relocação da obra antes da mobilização de equipamento pesado.
Normas aplicáveis
ABNT NBR 15935:2011 — Ensaios geofísicos de superfície — Sísmica de refração, ABNT NBR 6484:2020 — Sondagem de simples reconhecimento com SPT (subsídio à calibração), ABNT NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundações (parâmetros dinâmicos)
Serviços técnicos vinculados
Perfil de velocidade de ondas P e S
Aquisição com geofones de componente vertical e horizontal para obter Vp e Vs. Permite calcular coeficiente de Poisson dinâmico e módulo cisalhante máximo (G0) de cada horizonte identificado.
Mapeamento de topo rochoso
Determinação da profundidade do embasamento e da espessura da zona de transição solo-rocha com precisão de decímetros, essencial para fundação por estacas e definição de cota de arrasamento.
Detecção de zonas de baixa rigidez
Identificação de bolsões de solo mole, cavidades e zonas de falha através de anomalias de baixa velocidade no modelo tomográfico, antes da execução de escavações ou aterros.
Relatório geofísico-geotécnico integrado
Entrega de seções interpretadas em DWG e PDF, com layer picking, tabela de velocidades por camada e correlação com sondagens mecânicas existentes, seguindo diretrizes da ABNT NBR 15935.
Parâmetros típicos
Perguntas comuns
Qual a profundidade máxima que a tomografia sísmica atinge em Jundiaí?
Com arranjo de refração de 115 metros de offset, a profundidade de investigação fica entre 25 e 40 metros, dependendo da geologia local. Em perfis de reflexão com cobertura fold adequada, alcançamos mais de 100 metros, suficiente para mapear o embasamento sob os sedimentos da Bacia de Jundiaí.
Quanto custa uma campanha de tomografia sísmica de refração/reflexão na região?
O investimento parte de $100.000 para uma linha de aquisição padrão com 24 canais e 115 m de extensão, incluindo processamento tomográfico e relatório interpretado. Campanhas com múltiplas linhas, fonte acelerada ou aquisição de ondas S têm custo ajustado conforme a metragem total e a complexidade logística do terreno.
Em que tipo de solo de Jundiaí a sísmica de refração funciona melhor?
A técnica responde muito bem em perfis onde há contraste progressivo de velocidade, como solo residual de migmatito sobre rocha alterada—típico da porção leste do município. Em terrenos aluvionares saturados, a refração ainda define o contato com o embasamento, mas a inversão conjunta refração+reflexão melhora a resolução das camadas de baixa velocidade. Mais info.
